segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fragilidade


São tantos e diminutos pedaços agora.
Não brilha mais como antes.
A pedra de brilho raro agora não refrata mais as cores vivas de outrora
Não edifica mais nada, também quase não fere.
A coisa deu lugar a substancia, matéria morta.
Ninguém vence o inevitável.
É Necessário juntar os restos, tantas quantas forem necessárias as vezes em que tudo se partir.
 Todo cristal não tem outro fim senão partir-se um dia
Fosse feito metal, nem mesmo o fogo o faria perecer
O ferro talhado no fogo mais forte se torna.
Nascera cristal, fadado a fragilidade, a partir-se.
Lá está ela a pedra, lá está ele o tropeço, e os pedaços estão por toda a parte.
Pequenos, ninguém os vê até que se fira e a dor do outro passe a ser sua própria dor.


domingo, 19 de setembro de 2010

Devocional




Deus é poesia pura, a mais pura de todas elas. O que dizer dessa saudade do que eu nem sei, dessa certeza do que não se vê, dessa amizade que nem a dor separa, mas faz o caminho inverso, aproxima, faz viver o que já era morto. Pela fé todos os contrários parecem fazer sentido, a lágrima cura mais que o sorriso, a dor faz amar mais que o próprio amor, o que se toca se perde e se eterniza o que nunca se viu, a morte vira vida, e a vida não é mais a mesma, não sou mais eu quem vivo, não só vivo agora, mas também não vivo mais só.
De repente o rascunho virou obra, as palavras ganharam sentido, a prece virou fé e o amor finalmente encontrou um lugar.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

DEIXA





A vida é bem mais do que as notas da canção pretendem.
Eu sei,
mas me deixa pensar que não, para que meu coração acredite que sim.
Deixa tentar fazer sorrir esse verso que só quer chorar.
Deixa entrar estas notas.
Deixe que eu me convença das verdades que usei para convencer a todos.
Eu só preciso de um pouco de inspiração.
Deixa eu deixar essa tarde um pouco menos cinza. 
Deixa que eu diga o que a vida pode ou não ser, mesmo que eu não saiba.
Deixa que eu pare e pense por um momento,
e se nesse momento que é meu, eu pensar em parar, 
Deixa, só me deixe.
Deixa que eu fique só.
Deixa que eu seja apenas o que eu pareço.
Deixa que a vida cuida.
Deixa que eu verse com calma as estrofes dessa prece, dessa minha oração.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Rasuras

 

Todo dia escrevo um trecho novo dessa minha história.
Vida a fora vou gastando meu nanquim.
Narração que se constrói na medida em que o autor se perde.
Palavras mortas abrindo portas à ressurreição.
Versos grafados e assinados pela impressão do próprio ser, 
que acaba sendo um pouco menos quando a historia acontece.
As horas perpassando os dias.
Os dias os anos. 
Os anos a vida inteira.
Cada traço de tinta é menos do que já fora,
e mais de tudo quanto jamais se perderá.
É o legado que se construiu.
Letras, contornos, pontos e rabiscos.
O único tesouro escondido,
num papel roto qualquer. 




sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Silêncio

Quando as palavras são insuficientes,
é que não sou mais nada além de um grande vazio.
Se simplesmente não há o que dizer,
Que eu seja só silêncio então.
Gritar não é a única forma de sentir dor.

Brilham as estrelas no alto dos céus.
Dormem os homens.
Cada palavra não dita agora ecoa,
aos ouvidos daqueles que não se eximiram de deixá-los abertos.

Tudo é cena e cenário
aos que dormem com os olhos abertos.
A lágrima é sonho e o sorriso escravidão.

Amanhã,
Olhos inchados,
Sol na janela.
Hoje silencio e solidão.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Restos

Esse Caminhar entre as gentes,
faz pensar que sou gente também,
faz caminhar seguindo a marcha,
sem pensar qual é o destino.

O ritmo cega a alma.
A lógica ausente leva a esquecer,
a incongruência desse andarilho de pés descalços;
Incompleto, imperfeito...
Tento não lembrar que não deixei pegadas para trás,
quero mais ainda ignorar as partes minhas que tracejam a terra batida,
por pés tão machucados.

Um amontoado de ser deixado,
forçado ao abandono, que era e simplesmente não é mais.
Quisera ser leve, voar,
sem ter de partir-me, sangrar,
sem ter de perder-me para enfim me encontrar.

domingo, 4 de julho de 2010

eu, verso meu

Quando tudo é silêncio
é que finalmente as vozes eclodem,
vagueiam no ar, preenchem os espaços,
que sou eu.
Porque também sou um pouco desse vazio,
dessa solidão, dessas linhas.
Estes versos são um espasmo, um lampejo na escuridão,
é um pouco de tudo,
que tanto dói em mim, e parece não doer em mais ninguém.
é uma lágrima na penumbra,
que rega meu jardim,
Por hora terra nua, um dia se fará flor,
Um dia hei de sorrir.
Talvez eu faça um poema.
Talvez minhas palavras soltas façam sentido para mais alguém.