segunda-feira, 9 de abril de 2012

Um Poema para Priscila

Na rosa dos ventos,
nessa rosa plantada no chão da vida,
as direções são tantas,tantos são os caminhos,
que agente simplesmente vai...

Às vezes agente precisa ir,
e perceber que agente sabe voltar.
Que temos para onde voltar.

Nessas indas e vindas,
encontros são sinais de alento.
E agente acha que finalmente achou a direção.
Esquece que a vida não tem mapa.

Nesse caminho agente encontra tesouros assim, às cegas.
Fico feliz por ter te encontrado!
Por poder coexistir.
Por ter podido escrever esses versos para você.

Eu sei que a vida não pára.
Que ela gira enquanto rotaciono.
Que é raro alguém, que estando de fora compreenda.

Alguém que não fique tonta com essa quadrilha,
que se não entende,
 resigna,
 se apieda.

Porque nessa vida amiga,
estou sempre indo e voltando,
e nas voltas que essa vida dá,
tens sempre um abraço guardado e um encontro de volta marcado.




quinta-feira, 22 de março de 2012

Nesse caminhar às cegas,
só agora percebo,
não estou vindo!
Estou indo, voltando.

Presa nesses passos,
tentando colocar um ritmo
entender onde estou...

Só agora percebo
pouco importa!
seja o caminho que for
o que pareça ser!

Não é a estrada que interessa
é a volta
o horizonte.

Lá onde está o coração
onde estas palavras se agigantam
sem serem ditas.
Lá onde vejo de olhos fechados

Aqui eu sou menos
Vou ficando menor
a contrasenso das vozes

Se diminuo
se vou sumindo
é porque caminho
vou chegando

Eu não acabo
meu verso não pára
Não deixo de ser
me transformo!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Do que não se vê

Deus é essa poesia dentro de mim,
é essa voz que não cessa de sussurrar todas essa palavras,
e elas ficam aqui voando soltas na minha cabeça.
Até que um dia explodem em tinta num papel.

Naum dá para viver sem Deus!
Porque não posso viver sem cada um destes versos.
Porque o silêncio destas estrofes é a maior de todas  as dores.

E se você me olha, e simplesmente não vê,
que a garota na foto se distingue de todas as outras
eu não te culpo!

Sempre houve tanto esforço para fazê-lo,
tanta luta para ser cinza,
Não exijo que seus olhos pequenos vejam os raios amarelos
que só eu vejo nesse retrato antigo.

Sei pouco,
Sei que o Deus em mim não morre,
que morro todo dia e renasço nele!

E um dia, enquanto planto essas estrofes,
e aguardo que as flores enfeitem meus dias
eu espero ver sua sombra,
mas venha de óculos escuros.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Felicidade Insólida

                        Um dia pode ser que alguém tente comprar meu verso com um cartão de crédito, meu sorriso com um pouco de gin,  e a felicidade com uma pretensa distância e embrulhos embaixo do braço. Queria poder dizer a alguém que esses versos não valem nada! Que a gin tônica amarga mais o meu coração que esse sorriso e que não dá, simplesmente não dá para fugir de mim mesma. Confesso que já me vesti de seda tantas e tantas vezes, acreditando que o presente valia mais que o embrulho, mas acabei colecionando um sem fim de caixas vazias, decoradas com os mais diferentes adornos. 

                         Uma caixa, é só uma caixa vazia no final das contas, onde agente acaba guardando coisas que não suporta todo tempo, mas que não consegue se desvencilhar.

                         Sinto falta de uma sombra inxerida, de trazer os espíritos livres para um jantar, sinto falta da inexistência,  porque meus olhos estão cansados de toda essa vida que brota sem querer viver,  e dessa vida que vive sem qualquer outra vivendo junto.

                         A primariedade dessa valsa, com pés tortos, inábeis, não me dá vontade de sorrir, porque os belos vestidos de seda não enganam os meus olhos quanto a feiura destes pés, e o descompasso dessa dança.

                        Cedo ou tarde cada pé torto acaba encontrando um recanto numa cadeira do salão, e nesse baile de máscaras, os asnos dançam, a banda toca uma valsa, sem fim, nem começo, e quase todos rodopiam numa alegria inócua!



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Antes que o Mundo Acabe

Sem querer me apropriar de algo que não me pertence, mas me vejo obrigada a fazer do título deste texto, o título do filme, antes que o mundo acabe, que aliás, aos que ousarem ler isso, está mutíssimo recomendado, e só o utilizo agora, porque em verdade essa frase virou uma obcessão na minha cabeça, e de fato, as coisas parecem fazer muito mais sentido quando coloco essa frase no prefácio de qualquer acontecimento.
E sendo assim, antes que o mundo acabe, eu me senti forçada, a escrever sobre uma cena que parece de cinema, mas invariavelmente fui presenteada nessa viagem a caminho de Belém-PA.
Não acredito muito nessa coisa de destino ou como quer que queiram chamar, mas em suma, enquanto agardava um infinidade de horas para que a conexão do vôo finalmente chegasse, vi que a mim ,a espera incomodava mais do que deveria, havia na minha frente, diante dos meus olhos ansiosos, um casal de idosos, que nem mesmo pareciam compatíveis com aquele estruturado aeroporto, com seus passageiros de pastas executivas, ternos e gravatas, outros com seu computadores portáteis e telefônes, cheios de tédio naquela espera que a vida cotidiana simplesmente não lhes permitia.
Entremeado aquela correria, suspiros de pressa e conversas politicas ou de trabalho aquele casal permanecia abraçado, ela com uma blusa de frio, acho que de lã, e ele com seu pulover cinza, liam um mesmo livro, que ele segurava e ora ele lia um capítulo, ora ela lia o próximo, e ali como se estivessem na posição mais confortável do mundo, eles diviam a leitura daquele livro, como por certo deveriam ter dividido a vida toda.
Para mim, aquela cena parecia tirada de um filme antigo, a bem da verdade, nem tentei saber de que livro se tratava, mas deveria ser interessante o suficiente para mantê-los ali, desapercebidamente ignorando o tempo, e as pessoas ao redor, pareciam de fato estar na sala de sua residencia, e o braço dele em volta da cintura dela dava conta disso.
Não sei como termina essa história, nem mesmo se terminaram de ler o livro, quem sabe eles só tivessem lido aquelas paginas para ajudar a passar o tempo, e jamais necessitassem de coisa alguma para estarem juntos, ou talvez eu esteja de fato romantizando tudo, pois por certo ainda esteja sob o forte impacto que o inesperado daquela cena me causou, taí mais uma coisa que eu não sei, mas sei de algo, que é o verdadeiro motivo para o existir desse texto, eu simplesmente achei que essa cena merecia ser contada antes que o mundo acabe, a propósito gostaria de vê-la mais vezes antes disso.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A bailarina

Um dia ela saiu
foi voar com seu guarda-chuva
foi deixando a porta aberta
e as chaves para traz

Decidiu olhar o medo nos olhos
subir na corda bamba
esperar a hora de cair.

No desalento deste salto
descobriu que era hora de voar,
um voo repousado, calado.
Espetáculo de silencio. Sem aplauso.

A bailarina de vestido rasgado
O tempo preso no relógio
O sorriso levemente traçado, o joelho dobrado
após a queda o primeiro passo.


sábado, 16 de julho de 2011

Meu lado Augusto.

Tire  sua máscara
E olhe no fundo dos olhos
Dessa figura estranha
que se mostra refletida no espelho.

Tire sua máscara
E vá brincar seu carnaval sem ela.
Veja se você ainda consegue sorrir.

Tire sua máscara.
Sinta o desconforto das pessoas,
Veja se elas permanecem ao seu lado,
quando todas as cicatrizes estiverem expostas.

Tire sua máscara.
Tenha um pouco de fé.
Veja o que sobrou por traz dela.