Um dia me disseram que me ler é como estar diante de um abismo... e eu completo: quando se está diante de um abismo só há duas alternativas ou você pula ou você aprende a voar!
quinta-feira, 10 de março de 2011
Encontrar-se
Todo começo com seu fim,
todo encontro com seus desencontros
toda expectativa numa chance de acerto
Voce não é o meu verso preferido,
nem mesmo pretendi escrevê-lo um dia,
mas preciso dizê-lo, assim como tú és,
sem métrica ou rima.
Se o destino já te havia dito,
então és meu, é sina.
Mas se só te grifo no desalento,
é aceno,
depois é tempo, é tempo.
Mãos nunca se unem quando escrevem,
mas no verso sempre fica muito de um pouco,
que sou eu, que é seu.
Nesse jogo de palavras as mãos não se tocam, nem se vêem.
Só o papel fala, dobrado, guardado,
no silêncio de um sonho bonito,
que tem tempo e hora contados,
que não pode viver depois do amanhecer.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Como por um instante
Do invólucro que faz a beleza nascer,
surge uma via de duplo afã,
nascer, crescer, perecer.
Já que não há na beleza destino outro, senão morrer.
Tudo que é vivo morre,
e toda loucura se torna vã.
Loucura de um capricho velado,
que não conhece amanhã.
O olhar dispensado, pasmado,
é trocado jogado.
O belo mal pago.
Deslumbre de prazo contado.
A beleza quer apenas ser,
brincar de querer por querer.
Ainda que seja breve, as horas que a vida desconhece,
a vida só quer viver.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
O poema morreu!
Foi gerado, gestado e parido,
na insanidade da mente do Autor.
Foi o breve instante de um suspiro,
não pôde viver.
O poema nasceu,
chorou,
gritou ao mundo e morreu.
Cumpriu sua sina.
O poema chorado,
morto e enterrado.
Fez o que havia de fazer.
Nasceu e morreu para alimentar a alma,
do corpo que só escreve,
que morre todo dia.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Poema Vazio
Eu não me encontro.
Eu só me perco.
Me estilhaço,
me remendo.
O erro sempre presente,
nas perguntas e respostas,
nas esperas.
Na infinidade de coisas segredadas.
De tudo um pouco,
ficou quase nada.
Ficou o que não é,
o que o tempo negou e levou consigo.
Restou um pó de sonho.
Vestigios de medo.
Escombros assombrados.
Melancolia de tarde que antecede o escurecer.
domingo, 21 de novembro de 2010
Assim como as flores
Só falo das coisas que sinto,
Do cansaço desta busca,
Do inchaço destes olhos que os campos amarelecidos têm cegado aos poucos.
É preciso haver um lírio em meio aos girassóis.
É preciso calar a voz que grita a todos que nascemos para seguir o sol.
Quero me perder na brancura de um lírio só.
Desejo que as perdas formem a ponte desse encontro que tem aspirações de milagre,
de flor que nasce no terreno do impossível.
Quero que o mundo inteiro pare e veja,
por alguns instantes que é findado o tempo das esperas.
Num cantinho qualquer eu encontrei um lírio no campo de girassóis.
Quase nada pode ser tão bonito quanto este encontrar-se.
E depois, reconhecer-se, perder a orientação,
fixar-se num ponto só.
Não permita meu Deus!
Que meus olhos se cerrem sem que antes eu veja a delicadeza singela deste lírio,
que brotou para fazer enxergar ao lado a vista que se perdia na imensidão amarela do horizonte.
Do cansaço desta busca,
Do inchaço destes olhos que os campos amarelecidos têm cegado aos poucos.
É preciso haver um lírio em meio aos girassóis.
É preciso calar a voz que grita a todos que nascemos para seguir o sol.
Quero me perder na brancura de um lírio só.
Desejo que as perdas formem a ponte desse encontro que tem aspirações de milagre,
de flor que nasce no terreno do impossível.
Quero que o mundo inteiro pare e veja,
por alguns instantes que é findado o tempo das esperas.
Num cantinho qualquer eu encontrei um lírio no campo de girassóis.
Quase nada pode ser tão bonito quanto este encontrar-se.
E depois, reconhecer-se, perder a orientação,
fixar-se num ponto só.
Não permita meu Deus!
Que meus olhos se cerrem sem que antes eu veja a delicadeza singela deste lírio,
que brotou para fazer enxergar ao lado a vista que se perdia na imensidão amarela do horizonte.
Ausências
Eis o tempo dos pesares!
As nunvens lá fora aunciam a previsível insuportabilidade.
Hoje é dia de chuva.
Neste ato o sol ainda que presente não pode evitar que o dia fique cinza.
É chegado o tempo de chover.
Talvez essa tarde não seja suficiente.
Talvez as ausencias sejam por demais contundentes.
Essa chuva mansa com ares de garoa não me engana.
Hoje é dia de tempestade.
A terra seca não suporta mais o brilho do sol.
É preciso fazer chover para quem sabe um dia plantar.
Terra pobre é terra dificil de cultivar.
No manejo de solo de tantas faltas é preciso mais que boa fé para colher.
Cada um semeia seu pedaço de chão como pode.
Vive com os frutos que consegue produzir.
Doces ou amargos, sobreviver é tarefa que dispensa paladar.
Que venha essa chuva.
Que inunde os campos vazios.
Que transborde as dores represadas até que se aprenda a nadar.
As nunvens lá fora aunciam a previsível insuportabilidade.
Hoje é dia de chuva.
Neste ato o sol ainda que presente não pode evitar que o dia fique cinza.
É chegado o tempo de chover.
Talvez essa tarde não seja suficiente.
Talvez as ausencias sejam por demais contundentes.
Essa chuva mansa com ares de garoa não me engana.
Hoje é dia de tempestade.
A terra seca não suporta mais o brilho do sol.
É preciso fazer chover para quem sabe um dia plantar.
Terra pobre é terra dificil de cultivar.
No manejo de solo de tantas faltas é preciso mais que boa fé para colher.
Cada um semeia seu pedaço de chão como pode.
Vive com os frutos que consegue produzir.
Doces ou amargos, sobreviver é tarefa que dispensa paladar.
Que venha essa chuva.
Que inunde os campos vazios.
Que transborde as dores represadas até que se aprenda a nadar.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Das perguntas e respostas
Insisto em repetir esse sim,
sempre sim, quando tudo diz não.
Cansei de ouvir as ironias dessa voz de ares aristocráticos.
Tapei os ouvidos mas o olhos continuam vendo tudo.
Há uma brisa leve em todas as coisas.
Eu não consigo deixar de sentir calor.
É ardor que não passa.
É piada sem sorriso.
Há mais esforço que resultado,
mas não há resultado sem esforço.
Tarefa difícil é persistir numa idéia.
Dizer sim baixinho.
Aceitar períodos de grande silêncio.
Difícil é fixar no sim até que o silencio seja quebrado,
e finalmente as perguntas feitas.
sempre sim, quando tudo diz não.
Cansei de ouvir as ironias dessa voz de ares aristocráticos.
Tapei os ouvidos mas o olhos continuam vendo tudo.
Há uma brisa leve em todas as coisas.
Eu não consigo deixar de sentir calor.
É ardor que não passa.
É piada sem sorriso.
Há mais esforço que resultado,
mas não há resultado sem esforço.
Tarefa difícil é persistir numa idéia.
Dizer sim baixinho.
Aceitar períodos de grande silêncio.
Difícil é fixar no sim até que o silencio seja quebrado,
e finalmente as perguntas feitas.
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